introdução
A hora da refeição deveria ser um momento de conexão e prazer, mas para famílias que lidam com a seletividade, ela frequentemente se transforma em um cenário de estresse. No contexto de um comportamento à mesa desafiador, as atitudes dos pais podem, sem querer, reforçar a recusa alimentar. Entender o que evitar é o primeiro passo para restaurar a paz e a saúde nutricional dos pequenos.
Muitas vezes, na ansiedade de garantir que o filho esteja bem alimentado, os cuidadores adotam estratégias que geram o efeito oposto: aumentam a ansiedade da criança e aversão aos alimentos. Ajustar o comportamento à mesa dos adultos é, portanto, tão importante quanto o cardápio em si. É uma mudança de postura que exige paciência, mas que traz resultados sólidos a longo prazo.
Para aprofundar seu conhecimento sobre as causas dessas dificuldades, recomendo o artigo Seletividade Alimentar Infantil: O Guia Definitivo para Transformar as Refeições em Família, que servirá como o alicerce para as mudanças práticas que discutiremos agora.
O Erro da Pressão e o Mecanismo de Luta ou Fuga
O primeiro comportamento a ser evitado no comportamento à mesa é a pressão direta. Quando os pais insistem com frases como “só mais uma colherada”, o cérebro da criança seletiva pode interpretar o alimento como uma ameaça real. Isso ativa o sistema nervoso simpático, disparando o mecanismo de “luta ou fuga”. Sob estresse, o sistema digestivo “desliga”, a produção de saliva diminui e a criança sente uma barreira física para engolir, o que piora drasticamente o comportamento à mesa.
A chantagem emocional, como dizer “a mamãe vai ficar triste se você não comer”, também é prejudicial. Isso coloca um peso emocional desnecessário sobre a criança, que ainda não tem maturidade para lidar com a responsabilidade pelos sentimentos dos pais. No comportamento à mesa, o foco deve ser a percepção interna de fome e a saciedade, e não a busca por aprovação externa ou o medo de decepcionar os cuidadores.
Substituir a pressão pelo encorajamento neutro é a chave. Se a criança não quer comer, respeite o limite dela naquele momento. O papel dos pais no comportamento à mesa é decidir o que, onde e quando comer; o papel da criança é decidir quanto comer (ou se vai comer). Essa divisão de responsabilidades é libertadora para ambos.
Por que Evitar Distrações Eletrônicas e o “Comer Mecânico”?

É tentador ligar a televisão ou entregar um tablet para que a criança coma “sem perceber”. No entanto, esse é um dos erros mais contraproducentes no comportamento à mesa. Quando a criança come distraída, ela está praticando o comer mecânico. Ela não trabalha a consciência sensorial do alimento — a cor, o cheiro, a textura — nem percebe os sinais de saciedade do próprio corpo, o que desregula seu comportamento à mesa futuro.
Um bom comportamento à mesa exige atenção plena (mindfulness). Sem as telas, a criança pode observar as propriedades dos alimentos. O uso de eletrônicos apenas mascara o problema da seletividade em vez de resolvê-lo. A longo prazo, a criança não aprende a tolerar a presença de novos itens no prato, pois ela simplesmente “anestesiou” seus sentidos com o estímulo digital no comportamento à mesa.
A Armadilha das Recompensas e a “Desvalorização” do Saudável
Usar a sobremesa como prêmio pelo comportamento à mesa é uma estratégia que comunica a mensagem errada. Ao dizer “coma o brócolis para ganhar o chocolate”, você está ensinando ao cérebro do seu filho que o brócolis é algo ruim (um sacrifício) e o chocolate é algo maravilhoso (a glória). Isso reforça uma hierarquia negativa que prejudica o comportamento à mesa por toda a vida.
No contexto de um comportamento à mesa saudável, todos os alimentos devem ser apresentados de forma mais neutra possível. Se houver sobremesa, tente servi-la ocasionalmente junto com a refeição principal. Isso retira o “poder” excessivo do doce e coloca todos os itens em pé de igualdade sensorial no comportamento à mesa, permitindo que a criança explore a comida real sem a ansiedade de chegar ao “prêmio”.
O Perigo de Rotular a Criança e a “Profecia Autorrealizável”
Dizer a parentes ou amigos, na presença do filho, que “ele não come nada” ou “ela é muito difícil para comer” sela a identidade da criança. No comportamento à mesa, as crianças buscam entender quem são através dos olhos dos pais. Se ela ouve que é “chata para comer”, ela passará a acreditar que esse comportamento à mesa restritivo é parte intrínseca de quem ela é.
O ideal é manter um comportamento à mesa onde os comentários sejam focados no progresso ou, preferencialmente, em assuntos que não envolvam a comida. Falar sobre o dia, sobre brincadeiras ou planos futuros ajuda a reduzir a tensão e torna o comportamento à mesa um momento social positivo, em vez de uma sessão de avaliação clínica sobre o apetite da criança.
Seção Inédita: A Higiene Sensorial e o Erro da “Limpeza Excessiva”
Muitos pais, por zelo, limpam a boca ou as mãos da criança a cada garfada. Este é um erro crítico de comportamento à mesa. Para uma criança seletiva, especialmente aquelas com hipersensibilidade sensorial, o toque inesperado de um guardanapo pode ser irritante ou até doloroso. Além disso, impedir que a criança se suje impede a exploração tátil, que é o estágio anterior à aceitação de um novo sabor no comportamento à mesa.
Permitir que a criança “brinque” com a comida é fundamental. O contato com a mão reduz o medo do alimento. Se a criança se sente segura para tocar, ela estará mais perto de cheirar e, eventualmente, provar. Um comportamento à mesa excessivamente higienista cria uma barreira entre a criança e a experiência sensorial necessária para vencer a seletividade.

Tabelas de Erros Comuns vs. Atitudes Positivas
| O que NÃO fazer | O que FAZER no lugar | Resultado no Comportamento |
| Forçar a colher na boca | Oferecer e deixar a criança explorar | Redução da ansiedade e medo |
| Esconder legumes no molho | Apresentar o legume de várias formas | Construção de confiança real |
| Limpar a boca a cada garfada | Deixar que ela se suje e sinta a textura | Melhora da integração sensorial |
| Comer em pé ou no sofá | Sentar-se à mesa em família | Exemplo positivo (modelagem) |
A Importância da Modelagem: O Exemplo Silencioso dos Pais

O comportamento à mesa dos pais é o espelho mais potente do filho. A criança seletiva é naturalmente desconfiada em relação à segurança dos alimentos. Ao ver os pais comendo com prazer genuíno e sem comentários exagerados, a criança recebe a mensagem subliminar de que “aquele alimento é seguro”. Este é um pilar do comportamento à mesa que não pode ser ignorado.
Evite fazer caretas ou comentários negativos sobre certos alimentos no seu próprio comportamento à mesa. Mesmo que você não goste de algo, tente manter a neutralidade absoluta. O objetivo é mostrar que a exploração alimentar é um processo de descoberta contínuo, seguro e, acima de tudo, opcional dentro do seu comportamento à mesa.
Conclusão: Transformando a Atmosfera das Refeições
Mudar o comportamento à mesa dos pais é um desafio que exige autoconhecimento e um imenso controle emocional. É difícil manter a calma quando estamos preocupados com a nutrição de quem amamos, mas a tranquilidade é o solo onde a curiosidade alimentar cresce. Ao remover a pressão, as telas e os rótulos, você abre espaço para que seu filho desenvolva autonomia e uma relação de paz com a comida.
Para entender como aplicar essas mudanças de atitude em conjunto com estratégias práticas de exposição, recomendo fortemente a leitura do nosso guia: Seletividade Alimentar Infantil: O Guia Definitivo para Transformar as Refeições em Família. A combinação de um ambiente emocionalmente seguro com o conhecimento técnico correto é o único caminho sustentável para transformar a alimentação do seu filho.
Explore nossos outros artigos relevantes para sua jornada de conhecimento:
- Quando a Seletividade é Transtorno? Sinais que Merecem Avaliação
- Neofobia Alimentar: Entenda o medo de provar novos alimentos e como superá-lo
- Alimentação Saudável para Crianças Seletivas: O Guia de Receitas e Adaptações Criativas
Gostou do artigo? Compartilhe !
Belisa Sereno é mãe e escritora especializada em parentalidade e desenvolvimento infantil. No blog Cuidando dos Filhos, compartilha orientações práticas e reflexões sobre as fases da infância e adolescência, ajudando pais e mães a criarem filhos mais felizes, seguros e confiantes.
Informação de valor e muito carinho em cada artigo
